O governo
vai reestruturar o programa Garantia-Safra, voltado aos agricultores familiares
de estados do Nordeste e do Norte de Minas Gerais e Espírito Santo que sofrem
com perdas sistemáticas de produção por causa de seca ou excesso de chuvas. O
objetivo é aprimorar o desempenho, o alcance e a eficiência do programa, que
tem como beneficiários agricultores com renda familiar mensal de, no máximo, um
salário mínimo e meio e que plantam entre 0,6 e 5 hectares de feijão, milho,
arroz, mandioca ou algodão. Eles recebem um benefício de R$ 850, pago em
cinco parcelas de R$ 170, quando o município em que moram comprova a perda de,
pelo menos, 50% do conjunto dessas produções, ou de outras a serem definidas
pelo órgão gestor do Fundo Garantia-Safra.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento realizou um workshop em
Brasília, em parceria com o Grupo Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), para começar a discutir a reestruturação do programa
com especialistas.
Ao
abrir o encontro, Renato Nardello, coordenador setorial para o Desenvolvimento
Sustentável do Banco Mundial, disse que o Garantia-Safra é um programa alinhado
com a política do Bird de redução da pobreza. Com este objetivo, o banco está
executando programas de assistência em vários países da América Latina. Bárbara
Farinelli, economista agrícola do banco, afirmou que o Garantia-Safra tem
"desafios que precisam ser ajustados para melhorar o desempenho e a
efetividade" do programa.
O
diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura, Pedro
Loyola, revelou que, desde que chegou ao ministério, em janeiro, já sofreu
"alguns sustos com o programa". Para ele, o Garantia-Safra é
complexo, com muitos problemas de sistema e de gestão, e precisa ser aprimorado
porque, atualmente, são muitas as variáveis a serem levadas em consideração
para a concessão dos benefícios.
"O
Garantia-Safra é uma seguradora dentro do governo. Ou vamos melhorar o programa
como ele funciona hoje ou fazer uma grande inovação para o que seria um bom
Garantia-Safra", disse Loyola. Segundo ele, alguns aspectos determinados
em lei, como a assistência técnica para os pequenos produtores atendidos pelo
programa e a implantação de sistemas de associativismo, não são cumpridos
atualmente.
José
Carlos Mercês, coordenador-geral do Seguro da Agricultura Familiar, da
Secretaria de Política Agrícola do Mapa, apontou alguns problemas verificados,
como pessoas inscritas sem perfil de beneficiário do programa, indícios de
irregularidades já apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), excesso de
normativos (muitos deles conflitantes), restrição do número de culturas que os
agricultores podem plantar e erros de informações prestadas por técnicos
indicados pelas prefeituras. Além disso, só 37% dos municípios atendidos pelo
programa têm estação meteorológica a até 30 quilômetros de distância, o que
restringe o uso dos dados do Inmet e do Cemaden e aumenta a insegurança das
informações usadas para determinar a concessão ou não dos benefícios.
Os
especialistas participaram de três painéis de discussão, com análises do
programa e debates sobre os pontos que podem ser mudados para aumentar a
eficiência na concessão dos benefícios aos agricultores que necessitam da ajuda
financeira quando enfrentam secas graves ou perdas provocadas por chuvas.
Fonte:
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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